Derivação Responsável em Psicologia: Quando Derivar, Como Fazer e Modelo de Nota

O problema é que muitos profissionais não sabem quando fazê-lo, como comunicá-lo ao paciente, ou que informações incluir na nota de referência.
Neste artigo explicamos tudo: os critérios para derivar, como lidar com a situação com o paciente, como escrever a nota e que responsabilidade você tem após o encaminhamento.
O que é o encaminhamento responsável?
A referência é o ato de dirigir um paciente para outro profissional ou serviço que pode prestar atenção mais adequada às suas necessidades. "Responsável" implica que:
- Baseia-se numa avaliação clínica fundamentada
- O paciente é comunicado de forma clara e respeitosa
- Facilitar continuidade do cuidado através de informações relevantes
- É feito a um profissional ou serviço especifico e competente
- Documentos em prontuários
Nota
Derivar não significa deixar o paciente, é um ato de cuidado profissional que prioriza o bem-estar da pessoa acima de qualquer outro interesse.
Quando é que tens de andar à deriva?
1. Limites de sua competência
Quando o paciente apresenta um problema que excede o seu treinamento ou experiência clínica.
Exemplos:
- Um paciente com um distúrbio alimentar grave e você não tem treinamento em ATC
- Uma situação de abuso sexual infantil e você não tem experiência em trauma complexo
- Caso que requer avaliação neuropsicológica
- Um paciente que precisa de terapia parceira e apenas trabalho individual
Quadro ético: Códigos de ética são claros — trabalhar fora de sua área de competência é uma falta de ética. Não é sobre saber tudo, mas sobre reconhecer o que você não sabe.
2 Necessidade de tratamento farmacológico
Quando você avalia que o paciente poderia se beneficiar de medicação psicoativa.
Exemplos:
- Depressão grave com sintomas graves que não respondem apenas à psicoterapia
- Perturbações graves da ansiedade com ataques de pânico frequentes
- Transtorno bipolar, esquizofrenia ou outras condições que requerem medicação
- Insónia grave que afecta o funcionamento diário
Importante: Esse encaminhamento geralmente é uma interconsulta, não uma transferência. O paciente ainda está em terapia com você e, em paralelo, consulta o psiquiatra. Você precisa coordenar com o colega.
3. Ausência de progresso terapêutico
Quando não se observam progressos significativos após um período de tempo razoável.
Teor: sinais de alerta:
- Os objetivos terapêuticos não são alcançados após vários meses
- Paciente expressa insatisfação sustentada com o processo
- Você acha que a relação terapêutica não está consolidada.
- Você percebe que sua abordagem não é a mais adequada para este problema.
Conselho
Antes de se desviar por falta de progresso, avaliar: Existe a necessidade de uma mudança de estratégia dentro do mesmo tratamento? É um tempo de estagnação esperada? A derivação deve ser depois de ter esgotado alternativas razoáveis.
4. Conflito de interesses
Quando existe ou surge uma situação que compromete a sua objectividade profissional.
Exemplos:
- Você descobre que o paciente é familiar, amigo ou conhecido próximo de alguém em seu ambiente.
- O paciente é o ex-parceiro de outro paciente seu.
- Surgem sentimentos contratransferenciais que você não consegue lidar
- Há um elo de trabalho, comercial ou social que interfere
5.
Quando o paciente necessita de atenção que você não pode fornecer naquele momento.
Exemplos:
- Crise suicida que requer hospitalização
- Descompensação psicótica aguda
- Intoxicação por substâncias
- Violência doméstica ativa que requer intervenção imediata
6. Aplicação do paciente
Quando o paciente pede para ser encaminhado para outro profissional, pode ser devido a:
- Preferência para outra abordagem terapêutica
- Um desejo de trabalhar com um profissional de outro gênero
- Mudanças logísticas ou em movimento
- Insatisfação com o processo (embora nem sempre o diga diretamente)
Importante: Você tem uma obrigação ética de facilitar o encaminhamento, não de reter o paciente.
Como comunicar o encaminhamento ao paciente?
Esta é a parte mais delicada. Uma derivação mal-comunicada pode parecer uma rejeição ou abandono.
O QUE VOCÊ FAZ
- Explicar o motivo clínico honestamente e sem aspectos técnicos
- Standardizar a decisão: "Faz parte do cuidado profissional procurar o especialista mais adequado"
- Dar opções: oferecem mais de um profissional ou serviço, sempre que possível
- Para acompanhar a transição: oferecem sessões de encerramento e facilitam o contato com o novo profissional
- Deixe a porta aberta: "Se você precisar voltar, estou disponível"
- Documentação conversa em prontuários
O que não fazer
- Derivado por texto ou mensagem de e-mail sem sessão presencial
- Diga "Não posso ajudá-lo" sem oferecer uma alternativa concreta
- Para dar a sensação de que o paciente "é também" ou "seu caso é muito sério"
- Derivar durante a noite sem fechar as sessões
- Derivar sem ter um profissional ou serviço específico para recomendar
Frases úteis
"Depois de avaliar sua situação, eu acho que você se beneficiaria de trabalhar com um profissional especializado em [área]. Não é que eu não possa acompanhá-lo, mas eu quero ter certeza de que você terá o melhor cuidado possível."
"Eu acho que é importante para um psiquiatra avaliar se a medicação poderia ajudá-lo agora. Isso não significa que podemos parar — terapia que podemos continuar trabalhando juntos."
"Eu percebo que o tratamento não está progredindo como seria de se esperar. Acho que uma mudança de abordagem pode ser positiva, e eu tenho um colega que trabalha muito bem com esses tipos de situações."
Derivação vs. interconsulta
É importante distinguir entre os dois:
| Derivação | Interconsulta | |
|---|---|---|
| O que isso implica? | Transferência do paciente para outro profissional | Consulte outro profissional enquanto mantém o tratamento |
| Quem acompanha o caso? | O novo profissional | Você, com a ajuda do consultor |
| Quando é usado? | Quando o problema excede a sua competência ou há conflito de interesses | Quando você precisa de uma opinião complementar (psiquiátrico, neuropsicológico, etc.) |
| Relação paciente | Termine o seu tratamento (com encerramento adequado) | Continue o seu tratamento |
| Exemplo | Derivado de um especialista em vícios | Interconsulta com psiquiatria para medicamentos |
Nota
A interconsulta requer o consentimento do paciente para compartilhar informações com o outro profissional, o que é indicado no consentimento informado inicial.
O que incluir em uma nota de referência?
A nota de referência é um documento clínico que facilita a continuidade do cuidado, devendo ser conciso, relevante e respeitoso do sigilo profissional.
O conteúdo essencial
| Elemento | Designação das mercadorias |
|---|---|
| Dados do profissional à deriva | Nome, registo, especialidade, contato |
| Dados do paciente | Nome, idade, DNI |
| Destino | Serviço profissional ou conexo |
| Razão da derivação | Por que é derivado (fundamentado clinicamente) |
| Síntese clínica | Diagnóstico, tempo de tratamento, foco usado, estado atual |
| informações relevantes | Medicação, história significativa, fatores de risco |
| Objetivo de derivação | O que se espera do novo profissional |
| Data e assinatura | Do profissional que deriva |
O Que Não Incluir
- Conteúdo pormenorizado das reuniões
- Interpretações ou pressupostos não confirmados
- Julgamentos valiosos sobre o paciente ou seu ambiente
- Informação que o paciente solicitou explicitamente para não ser partilhado
- Mais informações do que é estritamente necessário
Importante
Lembre-se que a nota de referência está sujeita ao segredo profissional e inclui apenas as informações necessárias para a continuidade do cuidado, com o consentimento do paciente.
Modelo de nota de derivação
NOTA DE PRODUÇÃO
Data: ____________________
Profissão directa:
Lic. [Nome e Sobrenome] — M. P. [Número]
[Especialidade / Abordagem]
[Endereço da prática clínica]
[Telefone / E-mail]
Paciente: [Nome e Sobrenome] — DNI [Número]
Idade: [Idade] anos
Seguro de saúde/plano de saúde privado: [Nome] — Afiliado N° [Número]
Endereçado a: [Nome do profissional ou serviço destinatário]
1. Razão da derivação
[Explicar simplesmente por que a derivação é realizada. Exemplos:]
- A avaliação psiquiátrica é solicitada para considerar abordagem psicofarmacológica complementar
- É derivado para tratamento especializado em [área] dada a complexidade da tabela
- Avaliação neuropsicológica é sugerida para excluir [hipótese]
2. Síntese clínica
O paciente vem sendo submetido a tratamento psicoterápico desde [data], com frequência de [quantidade] sessão/é [semanal/in/quifth], sob uma abordagem [teórica].
Motivo original da consulta: [Descrição curta]
Diagnóstico / Hipótese diagnóstica: [Diagnóstico com critérios utilizados]
Estado real: [Descrição do estado clínico no momento da referência]
3. Tratamento realizado
- Método terapêutico: [Guidance]
- Duração do tratamento: [Tempo]
- Intervenções-chave: [Resumo das estratégias utilizadas]
- Evolução geral: [Melhoramento, estagnação, agravamento]
4. Informação relevante
- Medicina atual: [Se aplicável, ou "Não se refere à medicação atual"]
- Antecedentes significativos: [pré-tratamento, hospitalização, fatores de risco]
- Fatores de risco atuais: [Se houver: ideação suicida, uso de substâncias, situação de violência, etc.]
- Rede de suporte: [Família, links significativos, conteúdo disponível]
5. Finalidade da derivação
[O que se espera do profissional destinatário. Exemplos:]
- Avaliação e possível indicação de tratamento psicofarmacológico
- Continuidade do tratamento psicoterapêutico com foco em [área]
- Avaliação psicodiagnóstico / neuropsicológica
6. Comentários adicionais
[Qualquer informação adicional que facilite a atenção. Por exemplo:]
- O paciente tem conhecimento e consentimento para esse encaminhamento
- A possibilidade de articulação entre os profissionais foi aberta
- Anexado [consentimento / relatório / estudos anteriores]
Assinatura: _______________________
Seleção: __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Nota: Este encaminhamento é feito com o consentimento do paciente. As informações contidas são confidenciais e destinam-se exclusivamente ao profissional receptor.
Modelo de interconsulta
Quando não se trata de um encaminhamento, mas de uma consulta complementar, o formato é mais curto:
Pedido de interconsulta
Data: ____________________
De: Lic. [Nome e Sobrenome] — M. P. [Número]
Para: [Nome profissional / de serviço]
Paciente: [Nome e Sobrenome] — [Idade]
Recurso para interconsulta:
[Pequena descrição do que é solicitado para ser avaliado]
dados clínicos relevantes:
- Diagnóstico / hipótese: [Descrição]
- Tempo de tratamento: [Período]
- Sintomas atuais: [Os relevantes para a interconsulta]
- Medicação: [Se aplicável]
Pergunta específica:
[A que você precisa do outro profissional para avaliar ou responder?]
Assinatura: _________________ Selo: _________________
Responsabilidade pós-derivação
Até que a derivação seja concluída
Sua responsabilidade como profissional de tratamento não termina quando você escreve a nota de derivação. Continue até:
- O paciente efetivamente inicia o cuidado com o novo profissional
- Ou o paciente decide não continuar qualquer tratamento (tendo sido informado das implicações)
Isso significa que se você dá um paciente e o novo profissional não tem consulta para mais um mês, você ainda é responsável durante esse período.
Reuniões de encerramento
Se o encaminhamento envolve terminar o seu tratamento, as sessões de encerramento são essenciais:
- Reveja o processo: o que foi trabalhado, o que foi alcançado, o que está pendente
- Desenvolva adeus: dar espaço às emoções geradas pelo fechamento
- Preparando transição: explicar o que você pode esperar do novo profissional
- Nota de referência entrega da documentação: e cópia dos prontuários, se solicitados pelo paciente
Coordenação com o profissional beneficiário
Quando possível e o paciente consentir:
- Comunicação direta (chamada ou e-mail) entre profissionais facilita a transição
- Não é obrigatório, mas é uma boa prática clínica.
- Documento qualquer comunicação em prontuários
Derivação em situações de emergência
Quando a derivação é urgente (crise de suicídio, descompensação psicótica, violência ativa), o protocolo muda:
Passos imediatos
- Avaliar o risco e a necessidade de intervenção imediata
- Contate o serviço de emergência ou acompanhe o paciente até a guarda
- Comunicar informação clínica essencial para a equipe de emergência (verbalmente, se necessário)
- Contatar um parente ou pessoa de referência do paciente
- Documento tudo nos prontuários o mais rápido possível
Informação mínima para emergências
Em um encaminhamento de emergência, o profissional receptor precisa saber:
- Nome e idade do paciente
- Razão da emergência (risco actual)
- Diagnóstico se houver
- Medicamentos atuais
- contato de emergência
- Se ocorreram tentativas anteriores (em caso de risco suicida)
Erros frequentes
Derivar sem destino específico
"Você deve ver um psiquiatra" não é uma referência. Uma indicação responsável inclui um nome, telefone e, se possível, uma consulta gerenciada.
Não documentar
Se a derivação não está registrada nos prontuários, é como se não existisse. Diante de uma alegação, você não tem apoio.
Derivado tarde demais
Esperar que o quadro piore ou que o paciente entre em crise seja um erro comum. Se você identificar a necessidade, atue.
Derivados não fechados
Simplesmente parar de cuidar do paciente sem fechar as sessões é uma interrupção do tratamento, não uma referência.
Não pedir autorização
Compartilhar informações clínicas com outro profissional sem o consentimento do paciente viola o sigilo profissional, mesmo em encaminhamento.
Derivado para conforto
Derivar porque um paciente "é difícil" ou "não gosto dele" é antiético. Se há dificuldades de contratransferência, o primeiro passo é a supervisão, não o encaminhamento.
Como gerenciar derivas com Brauni
Brauni simplifica todo o fluxo de bypass:
- Template reference notes: Gera a nota com dados de pacientes pré-carregados
- Entrevistas gravadas: Comunicação documental com outros profissionais
- Alertas de seguimento: Lembre-se de acompanhar para verificar que o paciente é específico para o encaminhamento
- Histórico completo: A referência está registrada no prontuário do paciente
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E se o destinatário precisa de um relatório formal, você pode gerar com verificação digital a partir do mesmo arquivo do paciente.
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Iniciar de graçaResumo
| Conceito | Designação das mercadorias |
|---|---|
| O que é? | Levar o paciente a outro profissional que possa cuidar melhor |
| Quando derivar? | Limites de competência, necessidade de medicação, falta de progresso, conflito de interesses, emergências, solicitação do paciente |
| Derivação vs. interconsulta | Referência = transferência do caso. Interconsulta = consulta complementar sem sair do tratamento |
| Nota de derivação | Síntese clínica com razão, diagnóstico, tratamento realizado e objetivo de encaminhamento |
| Responsabilidade | Continuar até que o paciente comece a cuidar do novo profissional |
| Regra de ouro | Derivar é um ato de cuidado profissional, não um fracasso |
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